A COLONIZAÇÃO DA CURADORIA LATINA EM CLUBS EUROPEUS - Rabiosa (Lian:e & Ladraaaaa)

Jornal Q2 - A COLONIZAÇÃO DA CURADORIA LATINA EM CLUBS EUROPEUS - Rabiosa (Lian:e & Ladraaaaa)

23.01.2026
A COLONIZAÇÃO DA CURADORIA LATINA EM CLUBS EUROPEUS - Rabiosa (Lian:e & Ladraaaaa)


lian:e <email@gmail.com> Out 8, 2025, 3:42 PM (há 22 horas)

to ladraaaaa

Ami,

Estava aqui pensando nas questões que têm surgido nas nossas reuniões, como a vontade que temos de

trazer tantes djs e produtores latines mas que ao mesmo tempo somos encaradas pela realidade precária

do meio da produção de eventos em Portugal.

Sinto que Portugal ainda está tão atrasado no que toca à curadoria de artistas latines com relação ao

resto da Europa. E quando há, esse espaço de curadoria, o mesmo é dado às mesmas pessoas europeias

que rodam todas as festas e clubs da cidade, cortando qualquer possibilidade de uma real ligação entre

promoters e artistas. Claro que isto tudo é uma forma muito capitalista de ver as coisas, como um

aproveitamento do crescimento da presença da cultura latina na noite. Uma glamourização da América

Latina na Europa?

Não sei... tenho pensado cada vez mais nisto, em como a Rabiosa surgiu um pouco para suprir essa

necessidade de novidade, de uma presença mais abrangente da comunidade latina e ao mesmo tempo

como plataforma para novos artistas ou meios artísticos. Mas por outro lado, ainda sinto que está muito

entre nós e é difícil rasgar essa bolha, por mais progressista que seja a esta visão.

Confesso que é um pouco desanimador mas sei que a nossa persistência e o público fiel que nos

acompanha desde o início, que vai manter a força de Rabiosa independente de qualquer obstáculo.



ladraaaaa <email@gmail.com> Out 9, 2025, 2:27 PM (há 9 minutos)

to lian:e

Pienso en homogeneización, comercialización, vaciamiento, exotización, colonialismo.

TOTAL, amiga. También pienso en esa “curaduría latina” en europa como una traducción forzada de lo

latino.

Porque la cuestión no es solo quién aparece en los lineups y aquí me pongo a pensar también en la

cuestión del ego del artista/dj, sino quién define el marco, quién decide cómo se lee nuestra presencia. Y

quienes están haciendo “curaduria latina” están construyendo una mirada consumible de lo latino, un

molde que excluye a quienes salimos de alguna manera de esos encasillamiento.

Lo que pasa en los clubs, teatros, festivales… a veces resulta ser una exotización amable, donde sí lo

latino se celebra, pero solo en los lineups, no en las curadurías. Si imaginamos un espacio donde cabe lo

latino, ese espacio llega hasta ahí, y de aquí para allá, ya no.

Y sí, ahí es donde RABIOSA se vuelve necesaria.

Para construir tentativas de colectivizar las fiestas, devolverle lo comunitario a la pista de baile, devolverle

algún sentido. Porque “lo latino” es super diverso, inmenso, complejo, no encajable en una sola etiqueta.

Y porque además, la música siempre ha sido una cuestión comunitaria, compartida, expansiva.

Entonces urge abrirlo todo: repartir el trabajo, las oportunidades, las ganancias, los privilegios y darle

complejidad y profundidad a esa idea de “lo latino” como hallazgo estético. Porque sino se vuelve todo

ABURRIDO! y la fiesta lo menos que puede ser es aburrida.