25/07/2025, a noite em que o Planeta Manas se tornou Plutão. - Violeta Padilha & Juca

Jornal Q2 - 25/07/2025, a noite em que o Planeta Manas se tornou Plutão.

15.01.2026
25/07/2025, a noite em que o Planeta Manas se tornou Plutão. - Violeta Padilha & Juca


Há três anos, no início das nossas descobertas sobre a transgeneridade e a cena queer de Lisboa, passámos a frequentar o Planeta Manas em noites de experimentação, comunhão e descoberta. Com o Planeta Manas em mente, desenvolvemos uma instalação interativa em que, com o movimento das pessoas à frente da câmera, partículas eram animadas para formar um trecho do livro Cruising Utopias, de José Esteban Muñoz: “Queerness is not yet here”.  Aquilo parecia verdade no contexto, com um horizonte aberto que se expandia dentro das janelas gradeadas vibrantes, madrugada adentro.

O anúncio do fechamento do Planeta Manas, em maio deste ano, chegou como uma dinamite melancólica a soterrar uma mina que também era caverna e casa. Decidimos, então, tentar instalar finalmente aquele projeto antigo no espaço para o qual foi pensado. 

Mas agora, o texto soaria diferente, e as nossas histórias no espaço também. Por um lado, o sentimento de que não resta alternativa à mudança; por outro, a impressão de que sim, queerness esteve aqui. Conseguimos marcar a instalação para a penúltima mina, no dia 27 de junho.

Em contraste com as paredes, que teriam de ficar, pensamos em fazer um arquivo coletivo móvel. Assim, montamos uma zine em branco para ser preenchida durante a festa por quem tivesse vontade. Rapidamente, vimos a zine se encher de relatos, desenhos, rabiscos e notas e, ao fim da festa, tínhamos um arquivo precioso. Desse modo, em contato com o resto da comunidade, preparámos, para “A Última Mina do Planeta Manas”, uma continuação com mais zines, para construirmos um arquivo e futuramente transformarmos em uma zine impressa.

Na noite de 25 de julho, espalhámos 6 zines em branco e um quadro de cortiça pela superfície do nosso planeta, para preenchermos em coletivo com sonhos, desejos, memórias, etc.  Cada zine ocupou um espaço do Planeta Manas: acorrentada na grade do mina room, a zine vermelha com sua caneta de coração; nos arredores do rug floor, a zine verde e o quadro de cortiça que recebia notas; na sala atrás do bar, a zine transparente, possivelmente aquela que recebeu mais contribuições; no erogenous room, a zine azul, coberta de plástico-filme; no planeta room, a zine laranja e, por fim, a urna-zine itinerante, uma caixa trancada que recebia ainda outras notas. Mapas espalhados pelas paredes localizavam as “secret gems” da festa (intervenções com natureza própria, como instalações e performances, além das zines). Mesmo que, obviamente, no Planeta Manas, mapas nunca seriam suficientes.

Que as páginas falem por si. Deixamos aqui as imagens de algumas das notas feitas durante as duas últimas Minas do Planeta Manas. Duas zines foram perdidas: uma com a capa azul, a outra com a capa transparente. Quem ouvir de seu paradeiro e as fizer chegar às nossas mãos terá nossa gratidão, pois suas notas também poderão integrar o arquivo.